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O mundo de nossos bisavós e o mundo onde os bisavós seremos nós

Thiago Césare . 25.04.18

Em: Reflexões Nutritivas, Sem categoria

A alimentação de nossos bisavós era tão diferente da nossa que nem parece que somos, nós e nossos ancestrais próximos, da mesma espécie ou planeta. Nossas bisas e bisos não consumiam, para se ter uma ideia, nem metade dos alimentos industrializados que abastecem nossas geladeiras e despensas.
Transgênicos basicamente não existiam e o uso de agrotóxicos era insípido ou inexistente. O leite não era pasteurizado. Os animais não eram alimentados à base de dietas ricas em hormônios nem bombardeados com antibióticos. Aditivos artificiais? Hein?

A alimentação de nossos bisavós e o almoço de hoje

Naquele mundo ali pertinho de 80, 100 anos atrás, as pessoas conheciam muito melhor seu alimento. Por exemplo: você sabe de onde vem o pão integral em fatias que você comprou outro dia no supermercado? Ou aquele suco engarrafado? Ou o chocolate 70%? No tempo de nossos bisavós, quem fazia o pão era o padeiro da esquina. Suco engarrafado? Ficou doido, menino? Espreme essa laranja aí! Chocolate? Vai a rapadura do sêo Sinomar, que faz na fazenda dele e aparece na rua toda semana vendendo.

Era um mundo de alimentos predominantemente frescos, artesanais, livres de aditivos artificiais e todo tipo de padronizadores e realçadores de sabor, cor e aromas. Geladeira era item que ainda estava se popularizando. E o secos e molhados, precursor dos empórios naturais, vendia a maioria de seus produtos a granel.
Atualmente, é quase impossível passar um dia sequer sem consumir algo industrializado, refinado, adoçado, hidrogenado e por aí vai.

Medicina natural

E se a alimentação de nossos bisavós era outra, seu conhecimento acerca de ervas, folhas, raízes, frutas, chás e alquimias naturais para conservar e recuperar a saúde, em comparação com o nosso, era substancialmente maior.
Muitos deles viveram até meia idade sem tomar nenhum tipo de antibiótico. Na hora do aperto, ou se conhecia plantas e suas propriedades, ou procurava-se quem conhecesse. Um conhecimento que está se extinguindo na velocidade em que nos viciamos em smartphones e afins.

Nos anos 40, o surgimento de alimentos industrializados começa a se popularizar, mas a dieta base ainda era composta por alimentos integrais e minimamente processados

“Colocou no prato, tem que comer”

Outra lição valiosa que podemos creditar a nossos bisavós e avós é a cultura do mínimo desperdício de alimentos, e aqui se inclui formas criativas de se aproveitar o que de outra maneira simplesmente iria parar no lixo.
Só quem viveu escassez de alimentos, ou passou por muitos sacrifícios para colocar comida na mesa – sabe que dá para aproveitar casca de abacaxi, de banana, talos de verduras, cascas de raízes e mais um monte de coisas. O lance era aproveitar tudo mesmo, não desperdiçar nenhuma proteína ou nutriente. Até que ponto fazemos o mesmo?

E quando os bisavós formos nós?

Hoje em dia, é super comum ver crianças penduradas em tablets e smartphones e que talvez nunca tenham visto uma galinha de verdade, apesar de comê-las todos os dias. E nós somos os pais dessas crianças.
A oferta de alimentos, em diversidade e quantidade, aumentou. Mas em termos de qualidade, isso é bastante questionável. O que iremos compartilhar com nossos netos, bisnetos? Será que seremos modelos de hábitos saudáveis para eles? Se chegarmos vivos e com saúde até lá, certamente teremos nossos méritos e algo relevante a dizer.
Think about it.

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